Sobre o PODER do SINTOMA


A ansiedade é a experiencia do crescimento de si [...] A ansiedade negada nos deixa doentes. O que é encarado e vivido até o fim se converte em alegria, segurança, força, e equilíbrio. A formula pratica é:

Vá onde a dor estiver - Peter Koestenbaum.


Em uma perspectiva ampliada sobre a existência humana, os sintomas não precisam ser percebidos apenas como estados psicopatológicos de desconforto e sofrimento mental, que negativos por excelência, bloqueiam a vida no seu fluir natural.


Em minha experiencia, vejo os sintomas muito além de uma caracterização do adoecimento ou conjunto de disfuncionalidades no campo psíquico. Vejo que eles sempre carregam símbolos e uma energia que precisa ser transformada.


O sintoma é precioso e trabalha como um mensageiro, um contador de estórias, que não pede licença e invade os espaços para realizar seu oficio, de contar as suas estórias.

Via de regra estas estórias são desagradáveis e certamente foram caladas mais do que o tempo necessário e por isto agora precisam ser faladas por um sintoma, que por vezes desajeitado e direto sabe reivindicar o que quer, mas inevitavelmente se excede e causa algum estrago na logica relacional dos sujeitos.


Porém, se bem entendido, um sintoma pode revelar conteúdos fascinantes, sonhos escondidos, dores ocultadas, traumas que nem sequer haviam sido percebidos, desejos de mudanças e de uma vida outra, quem sabe mais digna, mais valorosa e autoral.

Um sintoma pertence a alguém, está inserido em uma biografia, tem nome e sobrenome, quase sempre se relaciona a pontos fundamentais da vida psíquica e certamente é por essência uma convocação, uma tentativa de resgate para o que foi negado e portanto perdido na própria estória.


Seja um delírio, crise de ansiedade, atos obsessivos, insônia, dores psicossomáticas, angustia, tristeza ou agitação, os sintomas são como uma passagem oculta para a jornada do autoconhecimento. Não digo que são fáceis ou belos, mas são necessários e exercem uma função no organizar da vida psíquica, por mais caóticos que possam parecer.

Tantas vezes presenciei pessoas ganharem consciência de seus bloqueios, desejos e angustias, a partir da compreensão dos próprios sintomas.


Então quando ouço alguém perguntar se aquele mal-estar ainda vai demorar a passar, sempre penso que deve demorar o bastante até que a estória toda possa ser contada!

Afinal, nossos sintomas são as nossas estórias que precisam falar.


Psicóloga Cristiane Dodpoka

www.psicologacristianedodpoka.com

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